Mais de 95% dos casos de  câncer de colo do útero têm relação direta com o HPV, o que reforça importância dos exames genéticos para detecção precoce da doença 

Celebrado em 4 de fevereiro, o Dia Mundial de Luta contra o Câncer convida à reflexão sobre prevenção, diagnóstico precoce e acesso à informação de qualidade. Entre os fatores de risco já amplamente comprovados pela ciência, um deles ainda enfrenta barreiras de conscientização: a relação direta entre o Papilomavírus Humano (HPV) e o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o HPV é reconhecido como um dos principais agentes causadores de câncer evitável no mundo. A infecção persistente por subtipos de alto risco do vírus está associada a cânceres do colo do útero, ânus, orofaringe, pênis, vulva e vagina. O dado mais emblemático envolve o câncer do colo do útero: mais de 95% dos casos têm relação direta com o HPV, o que torna essa uma das poucas neoplasias com causa praticamente definida.

Embora a maioria das infecções por HPV seja assintomática e eliminada espontaneamente pelo sistema imunológico, o risco surge quando o vírus permanece no organismo por longos períodos, especialmente os tipos 16 e 18, considerados de alto potencial oncogênico. Nesses casos, o HPV pode interferir nos mecanismos de controle celular, provocar alterações no DNA e favorecer o crescimento desordenado das células, processo que pode evoluir para o câncer ao longo dos anos. Esse caráter silencioso faz com que muitas pessoas descubram a infecção apenas quando surgem lesões ou alterações em exames de rotina, reforçando a importância do acompanhamento médico regular.

No Brasil, o impacto do câncer de colo do útero segue sendo significativo. Estimativas nacionais para o triênio 2023–2025 apontam cerca de 17.010 novos casos por ano, tornando a doença o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. Em 2023, foram registrados 7.209 óbitos, números que evidenciam a necessidade de ampliar políticas de rastreamento e conscientização.

Nesse contexto, o exame de DNA-HPV ganha destaque como uma das ferramentas mais modernas para o rastreamento da doença. Diferentemente do exame citopatológico tradicional (Papanicolau), que identifica alterações celulares, o teste molecular detecta diretamente o material genético do HPV, permitindo identificar a infecção antes mesmo do surgimento de lesões e ampliando as chances de intervenção precoce.

No Vale do Itajaí, o Cipac Diagnósticos chama a atenção para o papel estratégico desse exame no enfrentamento ao câncer de colo do útero. A instituição incorporou o teste de DNA-HPV ao seu portfólio de serviços, alinhando-se às diretrizes nacionais de saúde pública e às tendências internacionais de rastreamento. “Detectar o HPV de alto risco de forma precoce significa agir antes que a doença se desenvolva, aumentando significativamente as chances de tratamento eficaz e reduzindo a mortalidade”, destaca Luzete Granero, médica patologista responsável técnica pelo laboratório.

Especialistas reforçam que a prevenção do câncer associado ao HPV não é apenas uma questão individual, mas um desafio de saúde pública. A vacinação contra o HPV, aliada a exames de rastreamento como o Papanicolau e o DNA-HPV, é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência e a mortalidade associadas à doença. Ampliar a cobertura vacinal, combater a desinformação e incentivar o diagnóstico precoce são medidas capazes de evitar milhares de casos de câncer todos os anos.

No Dia Mundial de Luta contra o Câncer, a discussão sobre o HPV ganha ainda mais relevância. Falar sobre o vírus vai além de abordar uma infecção sexualmente transmissível: trata-se de prevenção oncológica, políticas públicas e escolhas informadas. A ciência já apontou as causas e as soluções. O desafio agora é transformar conhecimento em ação, garantindo que informação de qualidade chegue à população antes que um câncer evitável se torne realidade.

Sobre o Cipac Diagnósticos

O Cipac Diagnósticos é um dos principais centros de patologia do Vale do Itajaí, com atuação estratégica no apoio ao diagnóstico de doenças relacionadas ao HPV e outras patologias de alta complexidade. A instituição conta com uma equipe médica multiespecializada, formada por oito patologistas, com expertise em áreas como ginecopatologia, dermatopatologia, patologias da mama, doenças renais e transplantes. Com mais de 50 colaboradores, o Cipac atende atualmente cerca de 8 mil exames por mês e projeta ampliar sua capacidade para até 20 mil exames mensais com a nova sede. O investimento contínuo em biologia molecular, PCR para HPV e ISTs, imuno-histoquímica, imunofluorescência e FISH posiciona o laboratório como referência regional em precisão diagnóstica e inovação.