7 lições de quem construiu um e-commerce nacional saindo do interior de Santa Catarina

Por Junior Cristofolini, sócio-fundador da Cofari.

O e-commerce brasileiro nunca esteve tão abrangente. As tendências regionais indicam que o setor está se tornando cada vez mais distribuído pelo território nacional, o que representa uma oportunidade real para marcas que desejam expandir sua presença sem depender dos grandes centros. A Cofari é um exemplo disso, e a prova de que é possível construir uma operação nacional a partir de qualquer lugar do Brasil, desde que você tenha os processos certos.

Comecei a vender pela internet em 2007, numa mesa improvisada na sala de casa, em Rodeio, cidade de 12 mil habitantes no interior de Santa Catarina. Não tinha capital para grandes estoques nem estrutura de varejo. O que tinha era análise de dados, visão de longo prazo e a vontade de construir uma marca que realmente fizesse parte da vida das pessoas. Hoje, a Cofari entrega para 99% dos municípios brasileiros, opera em seis marketplaces simultaneamente, tem marca própria e projeta R$500 milhões em faturamento acumulado até o final de 2026. O e-commerce brasileiro segue em crescimento pelo oitavo ano consecutivo, com projeção de faturamento de R$224,7 bilhões e 94 milhões de consumidores ativos, é um mercado de oportunidade real, mas também de competição brutal. Quem chega despreparado, sai cedo.

Essas são as lições que eu daria para qualquer empreendedor construindo um negócio nesse setor.

  1. Dados na frente, opinião atrás

No e-commerce, a opinião mais arriscada é aquela baseada apenas na própria percepção. Você acha que o produto vai vender. Você acha que o cliente quer isso. Achismo não paga boleto. Desde o início, tomamos decisões baseadas em números. Monitorávamos o desempenho de cada produto antes de ampliar o estoque. Quando a pandemia acabou e o mercado desacelerou em 2022 e 2023, não ficamos esperando a situação melhorar. Olhamos para os dados, aceitamos o que eles estavam dizendo e mudamos a rota. Empresa que espera sinal de fumaça para reagir já está atrasada.

  1. Localização não é limitação. Operação é

Durante anos, ouvi que era impossível construir um e-commerce nacional a partir do interior. Que a logística não permitia. Hoje entregamos para 99% dos municípios brasileiros saindo de Rodeio. Estima-se que 70% do território nacional já conte com entregas em até 24 horas, viabilizadas por centros de distribuição regionais e soluções automatizadas. A infraestrutura existe. O que define sua capacidade de competir não é o seu endereço, é a qualidade da sua operação e a consistência com que você entrega. 

  1. Teste antes de escalar sempre

Um dos maiores erros que vejo é apostar alto antes de validar. Compram estoque grande, montam operação completa, e só então descobrem que o produto não tem a demanda que imaginavam. Nossa metodologia sempre foi diferente: testamos cada produto em pequena escala e só escalamos quando os números confirmam a tração. Foi assim com a importação: começamos com um único container antes de qualquer compromisso maior. Em 2023 foi 1 container, em 2024 foram 2, em 2025 foram 4. Para 2026, a projeção é de 55. Essa curva só foi possível porque cada etapa foi validada antes da seguinte.

  1. Revenda paga as contas hoje, mas não constrói o negócio de amanhã

Revender produtos de terceiros é uma porta de entrada legítima. Foi o nosso caminho por anos. Mas tem um teto: margem comprimida, conflito de canais, fornecedores que vendem o mesmo produto para dez concorrentes. Qualquer diferenciação dura até o próximo vendedor baixar R$2,00 no preço.

As marcas próprias permitem maior controle sobre preço, posicionamento e portfólio, reduzem custos de intermediação e respondem com mais agilidade às mudanças de mercado. Foi por isso que criamos a Bem Casa, nossa primeira marca própria, focada em artigos para o lar. Construa algo que seja seu. Algo que ninguém possa simplesmente copiar e vender mais barato ao lado.

  1. Entenda cada canal e trate-os de forma diferente

Estar em muitos marketplaces ao mesmo tempo é uma força, mas também um peso se você não souber o que está fazendo. Cada canal tem seu algoritmo, sua política comercial e seu perfil de consumidor. O que funciona no Mercado Livre não necessariamente funciona na Shopee.

Quatro grandes plataformas, Mercado Livre, Shopee, Magalu e Amazon, dominam grande parte das transações online, e cada uma delas premia comportamentos diferentes. O erro mais comum é tratar todos os canais da mesma forma. A estratégia vencedora é entender o que cada plataforma premia e adaptar sua operação para isso, sem perder de vista a margem em nenhum deles. 

  1. O fiscal e o tributário não são detalhe, são estratégia

Poucos empreendedores falam sobre isso abertamente, mas é um dos fatores que mais diferenciam quem cresce de forma sustentável de quem cresce e quebra. A migração do Simples Nacional para o Lucro Real, em 2018, foi um divisor de águas para nós. Entender o regime tributário correto para o seu momento não é trabalho só de contador, é decisão estratégica do empreendedor. Ignore isso e você vai crescer no faturamento e encolher na margem sem entender por quê.

  1. Cuide da reputação como se fosse o seu produto mais importante

No e-commerce, reputação é ativo. Com mais de 70% dos compradores confiando em sites de e-commerce para tomar decisões de compra, um histórico sólido de atendimento vale tanto quanto qualquer campanha de marketing. Às vezes vale mais.

Conquistamos o RA1000, o Prêmio RA 2025 como campeões nacionais em Artigos para o Lar e o Magazord Awards 2025, entre outros reconhecimentos. Esses prêmios não vieram de publicidade, vieram de uma cultura que trata o pós-venda com a mesma seriedade que trata a venda. O consumidor satisfeito volta. O consumidor insatisfeito conta para todo mundo.

É importante lembrar que o e-commerce brasileiro é um mercado de oportunidades reais, mas não para quem espera o momento perfeito, o endereço certo ou o investidor ideal. O interior do Brasil está cheio de negócios esperando para serem construídos. A pergunta não é se dá. É se você está disposto a construir do jeito certo: com dados, com paciência e com uma estratégia que pense no negócio de amanhã, não só no faturamento do mês.

Junior Cristofolini é sócio-fundador da Cofari, empresa de e-commerce sediada em Rodeio (SC), referência nacional em artigos para o lar e criadora da marca própria Bem Casa.

De 1 a 55 containers em três anos: a aposta silenciosa de um e-commerce catarinense

Em 2023, chegou um container. Em 2024, dois. Em 2025, quatro. Para 2026, a projeção é de 55, exclusivamente de marca própria. Quem olha para essa curva de fora pode achar que se trata de uma empresa que de repente decidiu crescer. Quem conhece a história sabe que foi o oposto: cada passo foi calculado, testado e validado antes do seguinte. É exatamente esse ritmo, discreto, orientado por dados, sem pressa de aparecer, que define a Cofari.

A empresa fica em Rodeio, no interior de Santa Catarina. São pouco mais de 12 mil habitantes, uma agência dos Correios e um galpão de 4 mil m² no centro da cidade. É dali que saem 80% dos pedidos de uma operação que já entregou para 99% dos municípios brasileiros, acumula prêmios nacionais de excelência, incluindo o Prêmio RA 2025, onde sagrou-se campeã na categoria Artigos para o Lar, entre outros reconhecimentos, e que, em abril de 2026, estreou um novo nome para um novo ciclo.

Chegar a esse nível de cobertura não foi automático. Nos primeiros anos, cada pedido dependia de uma única parceria: os Correios da agência local de Rodeio. Em dias de pico, a equipe despachava 200 volumes por dia por ali, um número que rapidamente começou a pressionar os limites da operação. A solução veio de forma gradual e calculada: primeiro com transportadoras regionais, depois com centros de distribuição estratégicos fora de Santa Catarina. Hoje, 20% dos pedidos já saem de outros pontos do país, reduzindo o prazo de entrega para regiões mais distantes em até 2 dias.

Até então, chamava-se Casa Ferrari. Agora é Cofari. E a história de como chegou até aqui começa, como muitas histórias boas do empreendedorismo brasileiro, numa sala de casa.

 

2007: uma mesa, um computador e o Mercado Livre

Junior Cristofolini começou vendendo acessórios automotivos pela internet a partir de Rodeio, sem estrutura de grande varejo e sem capital para estoques volumosos. O que tinha era leitura de mercado e dados, desde o início, as decisões eram orientadas por números, não por intuição. Enquanto concorrentes do mesmo segmento apostavam no feeling, ele monitorava o desempenho de cada produto antes de ampliar o estoque.

Com o tempo, os limites do segmento automotivo foram ficando claros: novas legislações restringindo o setor, concorrência crescente, margem espremida. A decisão de mudar veio antes que o cenário obrigasse, e essa capacidade de antecipar movimentos se tornaria uma marca registrada da empresa. Em 2012, Bianca Ferrari Pacher e Bruna Ferrari Pacher entraram na sociedade, e a família estruturou papéis complementares dentro do negócio. Em abril de 2014, nasceu a Casa Ferrari, um armazém virtual que começou com vinhos de uma vinícola da própria região e foi incorporando eletrodomésticos, brinquedos e utilidades domésticas.

Muitos dos parceiros eram fabricantes locais que até então não tinham qualquer presença digital. Para eles, a Casa Ferrari foi a primeira vitrine online e essa relação com o ecossistema regional se tornaria um dos pilares culturais da empresa. “A gente sempre avaliou a demanda antes de investir em estoque. Testava cada produto em pequena escala e só escalava quando os números confirmavam a tração. Parece óbvio, mas a maioria não faz isso, e é exatamente isso que nos salvou mais de uma vez”, destacou Bianca Ferrari Pacher, sócia-fundadora.

Na prática, a divisão de papéis dentro da sociedade é o que sustenta a operação. Junior concentra a visão estratégica e comercial, é ele quem lê o mercado, antecipa movimentos e define para onde a empresa vai. Bianca responde pelo financeiro e gestão de pessoas. Bruna cuida do marketing, experiência do cliente e desenvolvimento de produtos. Pensamentos diferentes, às vezes embates, mas uma régua em comum: nenhuma decisão relevante passa sem que os números sustentem.

Crescer rápido demais e a lição que veio com a ressaca

Em 2018, dois movimentos simultâneos marcaram uma inflexão: a migração do Simples Nacional para o Lucro Real e a adoção da plataforma Magazord, da qual a empresa se tornaria um dos maiores clientes. O faturamento deu um salto e a operação passou a funcionar em outro patamar de controle financeiro e fiscal, um diferencial raro entre e-commerces de porte similar.

A pandemia de 2020 chegou como uma onda que ninguém esperava. O e-commerce brasileiro explodiu, novos consumidores migraram para o digital em semanas e as vendas da Casa Ferrari acompanharam o movimento. O problema foi entre 2022 e 2023. Com o mercado estabilizando e novos players, inclusive internacionais, ocupando espaço, a empresa se viu diante de uma escolha: segurar a operação no tamanho que estava ou tomar uma decisão difícil e rápida.

Escolheu a segunda opção. Cortes cirúrgicos, revisão de mix de produtos e uma pergunta que mudaria os rumos do negócio: se a revenda tem teto, onde está o próximo andar?

“A ressaca pós-pandemia foi brutal para muita gente no e-commerce. O que nos diferenciou foi não ter esperado a situação piorar para agir. A gente olhou para os números, aceitou o que eles estavam dizendo e mudou a rota antes de precisar. A empresa que espera sinal de fumaça para reagir já está atrasada”, contou Junior Cristofolini, sócio-fundador e líder estratégico. 

A postura rendeu resultados concretos: RA1000 do Reclame Aqui (2023), Magazord Awards 2025 na categoria Casa e Construção, Prêmio RA 2025, campeã nacional em Artigos para o Lar, e certificação Great Place to Work, entre outros reconhecimentos. Números de atendimento e reputação que, no e-commerce, valem tanto quanto os de faturamento.

A virada: sair da guerra de preços e construir algo que só ela vende

Revender produtos de terceiros funciona, mas tem um teto conhecido. Margem comprimida, conflito de canais, fornecedores que vendem o mesmo produto para dez concorrentes ao mesmo tempo. Qualquer diferenciação dura até o próximo vendedor baixar R$2,00 no preço. A Cofari conhecia bem esse teto. E decidiu furar.

A estratégia começou com cautela, do jeito que a empresa sempre fez as coisas. Em 2023, chegou o primeiro container, para testar a cadeia de importação e validar a operação. Funcionou. Em 2025, nasceu a Bem Casa, primeira marca própria da empresa, focada em artigos para o lar, desenvolvida para competir em qualidade e preço nos principais canais digitais do país, mas vendida exclusivamente pela Cofari.

“Quando você revende, está sempre numa guerra que não tem fim. Quando você tem marca própria, você sai dessa guerra e começa a jogar um jogo diferente. A Bem Casa não é só uma linha de produtos, é a nossa aposta de que daqui a dez anos ainda vamos estar aqui, crescendo”, pontua Bruna Ferrari Pacher, sócia-fundadora.

A curva que começou com 1 container em 2023 chega a 2026 com projeção de 55. A meta para 2027 é ultrapassar 100. O e-commerce brasileiro faturou R$235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo a ABIACOM. Nesse cenário, empresas com marca própria e capacidade de importação têm se destacado como as mais resilientes, exatamente porque não dependem de nenhum fornecedor para existir.

O nome que resume tudo

Em abril de 2026, a Casa Ferrari virou Cofari. O rebranding não foi apenas estético. O nome carrega um código que a empresa já vivia internamente: CO de Coração, FA de Família e RI de Ferrari. Três sílabas que resumem os pilares de uma trajetória construída longe dos holofotes, e que agora chega ao mercado com nome novo, marca própria e plano de escala concreto.

O novo posicionamento aposta no relacionamento como estratégia central: gerar valor antes de vender, construir audiência antes de anunciar. A venda como consequência, não como ponto de partida. “Cofari não é só um nome novo. É o compromisso de que tudo que construímos até aqui foi o começo, não o destino”, declara Junior Cristofolini. 

A meta é chegar a R$500 milhões em faturamento acumulado até o final de 2026. De uma sala em Rodeio para praticamente todo o Brasil, com 30 pessoas, um galpão e uma aposta construída container por container, em silêncio.

Do Vale do Itajaí para o Brasil: Casa Ferrari vira Cofari

Uma empresa que nasceu na sala de casa, no interior de Santa Catarina, hoje movimenta dezenas de containers de produtos importados por ano, vende para todo o Brasil e figura entre as referências do seu segmento. Agora, a Casa Ferrari, sediada em Rodeio (SC), anuncia que passa a se chamar Cofari e entra em um novo ciclo de crescimento.

O rebranding, anunciado em abril de 2026, não é apenas uma troca de nome. É o movimento mais recente de uma trajetória de 12 anos que passou por viradas de mercado, pela pandemia, pela abertura para importação e pelo lançamento de uma marca própria, tudo operado por uma equipe de 30 colaboradores a partir de um galpão de 4 mil m² no centro de Rodeio. “A marca Cofari carrega tudo o que construímos, mas com os olhos voltados para o futuro”, diz o sócio-fundador da marca, Junior Cristofolini.

Uma história do Vale que virou negócio nacional

Antes da Casa Ferrari existir, os sócios Bianca Ferrari Pacher, Bruna Ferrari Pacher e José Cristofolini Junior, já operavam no e-commerce regional com acessórios automotivos. Quando perceberam os limites do segmento, mudanças na legislação e o desinteresse da nova geração pelo setor, anteciparam o movimento e buscaram novos mercados.

Em abril de 2014, nasceu a Casa Ferrari: um armazém virtual que começou com vinhos de uma vinícola da própria região e foi incorporando eletrodomésticos, brinquedos e utilidades domésticas. Muitos dos parceiros eram fabricantes e fornecedores locais do Vale do Itajaí que, até então, não tinham nenhuma presença no comércio digital. Para eles, a Casa Ferrari foi a primeira vitrine online.

Hoje, a empresa opera com um mix de mais de 1.600 produtos, atua em diversos marketplaces simultaneamente e mantém e-commerce próprio, um modelo que poucos players regionais conseguiram construir com a mesma consistência.

A trajetória que moldou a Cofari

Em 2018, a migração do Simples Nacional para o Lucro Real e a adoção da plataforma Magazord, da qual a Cofari é um dos maiores clientes, representaram uma virada operacional e financeira. O faturamento deu um salto e a estrutura da empresa passou a operar em outro nível.

A pandemia de 2020 trouxe desafios logísticos sérios, mas também acelerou o crescimento do e-commerce brasileiro e a empresa soube aproveitar o momento. Os anos de 2022 e 2023, por outro lado, exigiram outro tipo de maturidade: a estabilização do mercado pós-pandemia forçou decisões rápidas e cortes cirúrgicos. “Foi um período que nos ensinou a tomar decisões rápidas e a olhar para o mercado sem ilusões”, afirma Cristofolini.

Foi justamente nesse cenário desafiador que a empresa tomou sua decisão mais ousada: abrir para a importação e construir uma marca própria.

Importação em escala é o próximo capítulo

Em 2024, chegou o primeiro container, com produtos para cadeiras de escritório. Em 2025, estreou a Bem Casa, a primeira marca própria da companhia, focada em produtos para o lar. “Para 2026, a nossa projeção é de aproximadamente 40 containers exclusivamente da marca, em um investimento que posiciona a Cofari em um patamar diferente do varejo digital regional”, revela. 

O movimento acompanha uma tendência nacional. O e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, crescimento de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), e empresas com capacidade de importação e marca própria têm se destacado como as mais resilientes no setor.

Bem Casa: quando o Vale do Itajaí cria sua própria marca

A Bem Casa é mais do que uma linha de produtos, é a aposta da Cofari em construir uma identidade própria no mercado de produtos para o lar. Desenvolvida para competir em qualidade e preço nos principais canais digitais do país, a marca nasce com estrutura para escalar rapidamente. “É onde juntamos o que aprendemos em mais de uma década de e-commerce com a capacidade de criar produtos que realmente fazem sentido para o lar das famílias brasileiras”, diz Bruna Ferrari Pacher, sócia-proprietária da empresa. 

Com lançamentos previstos de forma contínua durante o ano, a marca Bem Casa reforça o posicionamento da Cofari como empresa que não apenas distribui produtos, mas constrói marcas, algo raro entre as operações de e-commerce do interior catarinense.

O litoral norte catarinense movimenta R$ 13 bilhões em imóveis em menos de 500 km² e está mudando como os apartamentos são projetados no Brasil

O turismo sempre moldou a economia das cidades litorâneas. Agora, ele começa a moldar também a arquitetura.Em 2025, o litoral norte de Santa Catarina, com apenas 490 km² de extensão territorial, consolidou-se como o quinto maior mercado imobiliário do Brasil, movimentando R$13,47 bilhões em Valor Geral de Vendas e mais de 9 mil unidades comercializadas, segundo dados da plataforma DWV. Para os arquitetos, esse movimento representa uma mudança silenciosa, porém profunda, na forma de projetar apartamentos.

A era do apartamento híbrido

“O imóvel contemporâneo precisa atender dois perfis ao mesmo tempo: o morador fixo e o usuário temporário. Isso exige layouts intuitivos, circulações claras, armazenamento inteligente e materiais resistentes, de fácil manutenção”, explica Giovanni Bellincanta, arquiteto, urbanista e sócio-proprietário da Bellincanta Arquitetura.

Para Bellincanta, é fundamental não confundir eficiência com padronização hoteleira. “Não se trata de hotelizar o residencial. Trata-se de torná-lo mais eficiente”, afirma. A do apartamento híbrido busca funcionalidade sem abrir mão da identidade e do conforto de quem morar e é exatamente aí que reside o seu valor.

Airbnbização consciente

O debate sobre o impacto do short stay nas cidades é polarizado. Do ponto de vista arquitetônico, porém, o efeito é inequívoco: o modelo exige unidades mais inteligentes.

“Um apartamento que funciona bem para aluguel de temporada é compacto, tem layout racional, áreas comuns qualificadas e boa localização. Curiosamente, essas são exatamente as mesmas características que definem um bom imóvel para morar. A arquitetura encontra, nesse ponto, uma convergência entre moradia e hospitalidade que seria difícil de prever há uma década”, observa Bellincanta.

O edifício como experiência

A influência do turismo não se limita ao interior das unidades. Ela redefine o edifício como um todo. Rooftops mais ativos, espaços de convivência acolhedores e ambientes que funcionam tanto para moradores quanto para hóspedes transformam o edifício em parte da experiência de habitar e isso se reflete diretamente na liquidez do imóvel.

“Essa flexibilidade não é um atributo de mercado, ela nasce no projeto. Um apartamento bem projetado já contempla essa adaptabilidade desde a planta”, afirma Bellincanta.

Um fenômeno urbano irreversível

A mobilidade contemporânea não vai recuar. O trabalho remoto transforma cidades litorâneas em polos permanentes de vida, não apenas destinos sazonais. Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí e Porto Belo já vivem esse processo de forma acelerada, atraindo moradores, investidores e nômades digitais de todo o Brasil.

“A arquitetura que ignora essa transformação corre o risco de se tornar obsoleta antes mesmo de ser entregue. Projetar para o litoral hoje é entender que morar e hospedar já não são universos separados. São camadas da mesma experiência urbana”, alerta Bellincanta.

Giovanni Bellincanta é arquiteto, urbanista e sócio-proprietário da Bellincanta Arquitetura, escritório especializado em projetos residenciais e de uso misto no litoral catarinense.

Livro escrito por médica otorrinolaringologista pediátrica se propõe a ser um guia para famílias

As doenças respiratórias são a segunda maior causa de hospitalização de crianças de até quatro anos no Brasil, segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS. Apesar disso, a maioria das famílias ainda chega ao consultório sem saber distinguir um resfriado comum de um quadro que exige atenção imediata. É com o objetivo de preencher essa lacuna que a médica Mariana S. Kreibich Faccin, otorrinolaringologista pediátrica do Hospital do Pulmão, de Blumenau (SC), lança o livro Respira, Mamãe! Informação que acolhe. Cuidado que orienta, disponível nas versões e-book e impressa.

Com linguagem acessível e embasamento científico, o livro orienta mães, pais, avós, cuidadores, professores e babás sobre as principais doenças respiratórias da infância, como otite, sinusite, laringite, pneumonia e outras, e explica as diferenças anatômicas entre as vias respiratórias de crianças e adultos, além de ajudar a identificar os sinais que pedem atenção médica imediata. Também aborda quando é possível observar com segurança em casa e traz dicas práticas para o dia a dia.

Dra. Mariana conta que resolveu escrever o livro ao perceber algo em comum em muitos pais ao longo da sua carreira médica. “Atendo crianças há mais de dez anos e, ao longo desse tempo, percebi que a maioria das consultas trazia a mesma angústia: pais perdidos, sem saber se deviam procurar um médico ou se podiam esperar passar. A desinformação assusta mais do que a doença em si. Escrevi esse livro porque acredito que cuidar começa pela informação e que toda família merece ter acesso a ela de forma clara e humana”, destaca a médica.

Na prática, isso significa que toda criança vai passar por episódios de tosse, coriza, febre e dificuldade para respirar e que a dúvida dos pais sobre quando se preocupar é absolutamente legítima. Otites de repetição, crises de laringite na madrugada, chiados que assustam: situações como essas fazem parte da rotina de milhões de famílias brasileiras, mas raramente chegam com manual de instruções.

Por isso, o livro Respira, Mamãe! funciona exatamente como esse manual: organizado por condições, escrito sem jargão médico e pensado para ser consultado no momento em que a dúvida aparece.

Onde encontrar

O livro Respira, Mamãe! está disponível em versão e-book e impressa na livraria BluLivro, na Amazon e no site da editora em editorainverso.com.br. O e-book também pode ser adquirido na plataforma Hotmart.

Sobre a autora

A Dra. Mariana S. Kreibich Faccin é médica otorrinolaringologista com especialização em Otorrinolaringologia Pediátrica. Atua em Blumenau (SC) há mais de dez anos e integra o quadro clínico do Hospital do Pulmão, instituição referência em saúde respiratória no Vale do Itajaí.

Ao longo da trajetória, percebeu que o acesso à informação de qualidade era tão importante quanto o tratamento em si. Foram anos recebendo famílias angustiadas, cheias de dúvidas que poderiam ter sido respondidas com orientação clara e confiável. Essa percepção, aliada à sua vivência como mãe, motivou a escrita de Respira, Mamãe!, seu primeiro livro.

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