Blumenau voltou a ser o centro do empresariado brasileiro. Entre os dias 27 e 29 de maio, o Parque Vila Germânica recebeu o 41º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais (CNSE), reunindo 800 lideranças de 19 estados do país em três dias de debates sobre reforma tributária, inovação, tecnologia e sustentabilidade nos negócios. A edição marcou o retorno do evento à cidade, que já o sediou em 2001 e 2016, e trouxe novidades inéditas em suas mais de quatro décadas de história: a adoção de uma ação de Carbono Zero e a aprovação de um manifesto em defesa das micro e pequenas empresas.
O tema da edição, “Tradição e Inovação por um Futuro Sustentável”, sintetizou bem o espírito do congresso: de um lado, a força de um setor que movimenta 56% do PIB brasileiro, reúne 7 milhões de empresas e sustenta 43 milhões de empregos; de outro, a disposição das lideranças empresariais de olhar para frente e enfrentar as transformações em curso no país.
O patrono do CNSE, Sebastião Abritta, presidente do Sindivarejista do Distrito Federal e liderança de longa trajetória no movimento sindical empresarial, defendeu no evento o equilíbrio entre capital e trabalho e o papel do associativismo na construção de um ambiente mais justo para quem empreende. “O verdadeiro avanço não está no confronto entre capital e trabalho, mas no equilíbrio entre produtividade e humanidade, e é pela união que os sindicatos empresariais transformam desafios isolados em voz coletiva, construindo um país mais justo, competitivo e preparado para o futuro”, afirmou.
Palestrantes e pautas de alto impacto
A programação contou com nomes de referência nacional. O economista Bernard Appy abordou os impactos da reforma tributária para os negócios. O cientista Silvio Meira discutiu o papel da tecnologia e da inteligência artificial nos próximos anos. A empresária Sônia Hess trouxe ao palco um case de sucesso sobre empreendedorismo e liderança. O congresso contemplou ainda painéis temáticos com foco em negociação coletiva, cenário político, jornada de trabalho e perspectivas para o setor do comércio, turismo e serviços.
Pela primeira vez: ação de Carbono Zero
Em parceria com a Fundação Hermann Hering e a empresa Domani Global, o 41º CNSE aderiu, pela primeira vez em sua história, a uma ação de Carbono Zero dentro do programa Cidade Carbono Zero. A iniciativa prevê a elaboração de um Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), abrangendo o consumo energético do Parque Vila Germânica e o deslocamento de todos os envolvidos. Com o relatório em mãos, a organização poderá pleitear o selo de evento carbono neutro, reconhecido pelo Ministério do Meio Ambiente e Clima.
Manifesto em defesa das micro e pequenas empresas
Durante o congresso, as entidades do comércio de bens, serviços e turismo aprovaram um manifesto de oposição a cinco medidas recentes do Governo Federal que, na avaliação do setor, atacam diretamente as micro e pequenas empresas: a redução da jornada 6×1 sem prazo de adaptação; a aplicação da NR-1 com novos custos sem contrapartida; o congelamento dos limites do Simples Nacional desde 2017; a extinção do imposto das blusinhas sem redução da carga tributária sobre as MPEs; e a omissão diante do avanço das apostas online (Bets), que drenam bilhões da economia real. O documento está disponível na íntegra aqui.
Premiação: reconhecendo quem faz a diferença
Na sexta-feira, último dia do congresso, o 41º CNSE celebrou os profissionais que se destacaram ao longo do ano no movimento sindical empresarial brasileiro. O Prêmio Lair Montenegro reconheceu, na categoria Executivos, Alexandre Peixoto, do Sindilojas Porto Alegre/RS, pelo trabalho “A defesa do Varejo: a representação político-institucional diante do Legislativo Municipal”, e na categoria Assessores de Comunicação, Dennis Orru, do Sindicomércio de Juiz de Fora/MG, com o Prêmio Oddone Turolla de Jornalismo. O Prêmio José Washington Coelho, na categoria Assessores Jurídicos, foi entregue a Flávio Obino Neto, do Sindilojas Porto Alegre/RS, e a Regina Almeida de Queiroz, da Singa Florianópolis/SC. Parabéns a todos os premiados.
O Brasil inteiro esteve em Blumenau
O 41º CNSE reuniu delegações de todas as regiões do país. A delegação mais distante veio de Roraima, com a presença da Fecomércio Roraima. O estado com a maior delegação foi Minas Gerais, e o sindicato com maior representação foi o Sindivarejista/DF. Da Amazônia ao Sul do Brasil, o movimento sindical empresarial provou mais uma vez que fala com uma só voz.
O congresso encerrou do jeito que só Blumenau sabe fazer: com uma mini Oktoberfest, colocando o ponto final no evento com animação, música e a hospitalidade que fazem da cidade um destino de referência para grandes encontros nacionais.
Realização e apoio
O 41º Congresso Nacional de Sindicatos Empresariais foi realizado pelo Sindilojas Blumenau, pelo Sincavi e pelo Sindasseb, com patrocínio do Sebrae.
“Receber o 41º CNSE em Blumenau pela terceira vez foi uma grande honra e uma grande responsabilidade. Saímos daqui com debates ricos, posicionamentos claros e a certeza de que o empresariado brasileiro está preparado para os desafios que vêm pela frente. Blumenau mostrou, mais uma vez, que está à altura dos grandes eventos nacionais”, afirma Emílio Rossmark Schramm, presidente do Sindilojas Blumenau.