Com mais de 20 livros publicados e obras traduzidas para diversos idiomas, Godofredo de Oliveira Neto apresenta os romances “A Ficcionista” e “O Desenho Extraviado de Hieronymus Bosch”.

Santa Catarina tem um representante entre os imortais da Academia Brasileira de Letras. Nascido em Blumenau, o escritor Godofredo de Oliveira Neto construiu uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à literatura e ao ensino, com mais de 20 livros publicados e obras traduzidas para diversos idiomas, como francês, inglês e vietnamita.

Ao longo de sua carreira, Godofredo construiu uma obra marcada pelo diálogo entre realidade, imaginação e reflexão sobre a condição humana. Esse percurso literário ganha novos capítulos com seus romances mais recentes: “O Desenho Extraviado de Hieronymus Bosch” (2023) e “A Ficcionista: sonhos e fantasias de uma narradora” (2025).

No romance “A Ficcionista”, lançado em 2025, o autor conduz o leitor pela investigação de um escritor que tenta descobrir a história de Nikki, uma mulher que vive em um posto de gasolina abandonado no interior do país. A personagem é envolta em episódios que transitam entre misticismo, marginalidade e um certo culto popular formado em torno de sua figura. A narrativa acompanha o fascínio do escritor por essa personagem enigmática e se constrói a partir de depoimentos gravados e relatos que colocam em dúvida os limites entre ficção e realidade.

Já em “O Desenho Extraviado de Hieronymus Bosch”, publicado em 2023, Godofredo constrói uma trama que atravessa cidades como Nova York, Veneza e Florianópolis, inserindo também Santa Catarina no universo da narrativa. A história acompanha Luigi em sua busca por um esboço atribuído ao pintor Hieronymus Bosch, guardado no cofre de um banco americano. A investigação, no entanto, se transforma em uma jornada marcada por encontros estranhos, memórias familiares e situações em que realidade e imaginação parecem se misturar. A obra também ganhou projeção internacional, sendo publicada em francês com o título Esquisse e em vietnamita com o título  “Bàn Phác Thảo”.

Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2022, Godofredo ocupa a Cadeira 35, sucedendo o acadêmico Candido Mendes de Almeida. Ele foi recebido na instituição pela escritora Ana Maria Machado e, até hoje, é o único escritor catarinense a integrar a ABL.

Além da presença na principal instituição literária do país, o autor também mantém ligação direta com a produção intelectual do estado, ocupando a Cadeira 10 da Academia Catarinense de Letras (ACL), destacando sua atuação tanto no cenário nacional quanto na valorização da literatura produzida em Santa Catarina.

Embora viva há muitos anos no Rio de Janeiro, onde atua como Professor Titular de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o autor mantém uma forte relação com Santa Catarina, estado que frequentemente aparece em sua trajetória pessoal e literária. “Embora meu trabalho tenha ganhado destaque em todo o Brasil e até em outros países, minhas raízes estão em Santa Catarina. Blumenau foi o lugar onde minha formação cultural começou e onde nasceram muitas das referências que me acompanham até hoje”, afirma o escritor.

Trajetória literária e acadêmica

A carreira literária de Godofredo começou a ganhar grande projeção nacional a partir da década de 1990. Entre suas obras mais conhecidas está “O Bruxo do Contestado” (1996), romance que dialoga com a história e a cultura do interior de Santa Catarina, explorando as memórias da Guerra do Contestado.

A obra foi considerada o romance revelação do ano pela Folha de S. Paulo e pela revista Veja, consolidando o autor entre os nomes relevantes da literatura brasileira contemporânea.

Outro destaque de sua produção é “Amores Exilados” (2011), que aborda a experiência do exílio político, e o romance “Grito” (2016), que recebeu o Prêmio Romance de 2016 da Academia Catarinense de Letras e o Prêmio Romance do Ano da União Brasileira de Escritores. A obra também foi apontada pelo jornal O Globo/Extra como um dos 13 romances brasileiros mais importantes publicados naquele ano. Em 2010, o autor também publicou a biografia de Cruz e Sousa, um dos maiores nomes do Simbolismo brasileiro, filho de ex-escravizados e nascido em Florianópolis, com o livro Cruz e Sousa: O Poeta Alforriado.

Ao longo da carreira, sua produção literária passou a circular internacionalmente. Além de traduções para diversos idiomas, obras como “Ana e a Margem do Rio” ganharam edições em países como a Índia, ampliando ainda mais a presença do autor no exterior.

Literatura catarinense no cenário nacional

Mesmo com carreira consolidada no eixo Rio–São Paulo e presença internacional crescente, Godofredo destaca a importância da produção cultural catarinense. Para ele, a literatura também é uma forma de preservar memórias e identidades regionais dentro do panorama mais amplo da cultura brasileira.

“Santa Catarina tem uma riqueza cultural muito grande, e a literatura tem um papel fundamental em registrar e ampliar essa diversidade. Como escritor e professor, sempre procurei contribuir para que essa produção tenha espaço e reconhecimento”, finaliza.

Sobre Godofredo de Oliveira Neto

Godofredo de Oliveira Neto nasceu em Blumenau, em 1951. Estudou no Colégio Sagrada Família e no Colégio Santo Antônio antes de iniciar seus estudos em Direito e Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Posteriormente realizou sua pós-graduação na Universidade de Sorbonne, em Paris.

Escritor, professor universitário e intelectual de renome no Brasil, é membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2022 e ocupa também a Cadeira 10 da Academia Catarinense de Letras (ACL). Com mais de 20 livros publicados e premiados, traduzidos para diversas línguas, sua obra reúne romances, contos, ensaios e livros acadêmicos, consolidando sua presença entre os principais nomes da literatura brasileira contemporânea.