Recentemente, eu vi um cliente comemorar porque o ChatGPT recomendou a empresa dele numa resposta sobre o setor. Ele não sabia como isso tinha acontecido.
Eu sabia. Foi uma matéria de meses atrás.
Isso resume o que mudou na assessoria de imprensa nos últimos anos e por que ela virou um ativo mais estratégico do que nunca, mesmo (ou principalmente) num mundo em que as pessoas perguntam tudo para uma IA.
E trazendo para a prática, com a ajuda do Claude, Fui olhar de perto cinco estratégias de imprensa muito bem executadas no último ano. Três são de marcas grandes, que todo mundo reconhece de cara. Duas são daqui, do Sul de Santa Catarina, tocadas pela nossa própria equipe na Presse. A lógica por trás é a mesma, só muda o tamanho do palco.
1. Magazine Luiza
Em vez de mandar release para toda a imprensa toda no mesmo minuto, o CEO Frederico Trajano guardou um número forte: R$ 100 milhões em vendas gerados pelo “WhatsApp da Lu” em menos de um ano, e revelou pela primeira vez durante a gravação de um podcast, com o Money Times presente na sala.
O veículo publicou como furo, assinado, com a exclusividade que todo jornalista quer. A notícia se espalhou por todo o mercado financeiro nas horas seguintes, mas quem contou primeiro foi quem esteve lá.
2. Casas Bahia
A empresa ainda opera no vermelho, pressionada pelos juros. Isso, sozinho, é manchete ruim. Mas o CEO Renato Franklin não deixou o número negativo contar a história sozinho: foi à imprensa explicar que as parcerias com Mercado Livre e Amazon levaram o crescimento das vendas online a 27,4%, o maior avanço em quase cinco anos.
A Forbes não noticiou “prejuízo”, noticiou a estratégia de virada. É a diferença entre deixar o mercado interpretar um número sozinho e entregar você mesmo o contexto que explica esse número.
3. Lojas Renner
No resultado recorde de R$ 1,5 bilhão de lucro em 2025, o CEO Fábio Faccio não deu a mesma entrevista para todo mundo. P
ara a CNN Brasil, detalhou o plano de expansão física. Para a Bloomberg Línea, foi mais fundo na rentabilidade do e-commerce e comparou a penetração digital da Renner com a dos concorrentes.
Para o Seu Dinheiro, falou sobre o cenário macroeconômico e a leitura de consumo.
Mesmo resultado, três recortes diferentes, cada veículo saiu com algo exclusivo para contar, não um release reciclado.
4. Feira Agropecuária de Tubarão
A 8ª edição da feira, com mais de 100 empreendimentos e um leilão de mais de 400 animais, dava pano pra manga em vários ângulos diferentes — e usamos isso a favor.
Em vez de uma única nota de “a feira vai acontecer”, cada frente virou pauta própria: o crescimento do agronegócio na região; a programação cultural e o desfile de carros de boi; a novidade do julgamento de raças como “vitrine genética” do rebanho, entre outros temas.
O resultado foi cobertura constante de toda a imprensa da região ao longo do evento, com mais de 100 inserções no total, como os exemplos abaixo.
🔗notisul.com.br/feira-agropecuaria-de-tubarao-2026-tera-shows-leilao-e-desfile-de-carros-de-boi
5. Livro “Respira, Mamãe!”, de Mariana Kreibich
Um lançamento de livro de uma médica, sozinho, é pauta de agenda cultural local e ficaria só nisso. A virada foi ancorar a divulgação num dado de saúde pública: as doenças respiratórias são a segunda maior causa de internação de crianças de até quatro anos no Brasil, segundo o SUS.
Com esse gancho, a Dra. Mariana Kreibich Faccin deixou de ser “uma autora lançando um livro” e passou a ser a especialista que explica um problema que qualquer família enfrenta. A pauta rodou em cerca de 40 veículos, como essa do Estado de Minas Gerais:
🔗 em.com.br/bem-viver/2026/05/7420795-guia-para-familias.html
O que as cinco têm em comum
Nenhuma delas apostou em release genérico esperando sorte. Todas seguiram os mesmos quatro princípios:
Um dado real como âncora — nunca uma afirmação vaga do tipo “somos referência no setor”.
Uma escolha deliberada de quem recebe o furo ou o ângulo exclusivo — em vez de mandar a mesma nota pra lista toda.
Uma voz de verdade contando a história — executivo, especialista ou organizador, falando em primeira pessoa sobre o “porquê” daquele número.
Um timing certo — encaixado num momento que já ia chamar atenção de qualquer jeito, mas contado por quem vive aquilo antes que alguém contasse por ele.
Por que isso importa ainda mais agora
Cada vez mais gente pergunta direto para uma IA “qual a melhor empresa para resolver meu problema” ou “quem é referência nisso na minha região” — e confia na resposta sem abrir dez links para comparar.
Essas ferramentas não inventam autoridade do zero: elas juntam o que já está publicado, estruturado e validado por terceiros. Uma matéria no Notisul, na Forbes ou no Estado de Minas pesa nessa equação de um jeito que um post pago nunca vai pesar, porque é um veículo independente dizendo “isso é relevante”, não a empresa ou a pessoa dizendo isso sobre si mesma.
E isso vale tanto para uma varejista bilionária quanto para uma feira regional ou uma médica com um livro para lançar.
Assessoria de imprensa bem-feita não é apenas para aparecer. É uma ferramenta de construção de imagem e reputação, onde sua marca conquista credibilidade, vira referência no feed de notícias de hoje e na resposta de uma IA amanhã.
Se sua empresa, seu evento ou o seu trabalho tem um dado, uma posição ou uma história que pode virar notícia positiva, esse é o momento de conversar com a Presse Comunicação (www.presse.inf.br) sobre isso.
Por Fernanda Momm
Jornalista, especialista em Comunicação Corporativa e Marketing Digital e Sócia da Presse Comunicação